quarta-feira, 20 de agosto de 2008

D2: Um cházinho na Cabane du Monfort










Depois da uma noite de descanso, havia que fazer o ponto da situação. Não aguentávamos mais uma etapa dura de muitas horas. Decidimos então caminhar até Champex, o nosso destino de ontem. Foi uma caminhada de meia hora até uma bonita cidade suíça junto ao um lago. Substituímos uma caminhada de 6-7 horas por um percurso de 20 minutos de curvas e contra-curvas de táxi até Les Chables. Aí apanhámos um teleférico até Les Ruinettes, a 2191 metros. Passámos por cima de uma cidade muito famosa, Verbier. No verão, é dominada pelos trekkers e BTTistas. No inverno, é invadida pelos fãs do ski e snowboard. Sob um céu muito cinzento, iniciámos uma caminhada que nos ia levar até à Cabane du Monfort (2457m), o refúgio onde íamos dormir. Foi um trilho suave, que demorou cerca de uma hora a percorrer e com muitas paragens para fotografias. Chegámos ao refúgio cerca de 30 segundos antes de começar a chover, que sorte! Já no conforto do refúgio, bebemos um cházinho quente para animar e recuperar do esforço (de ontem!). Depois de uma soneca, esperáva-nos o jantar às 18.30. Pão, sopa, massa e sobremesa doce, bem ao estilo dos refúgios de montanha. Quando fomos dormir, ainda estava a chover... Não é nada bom caminhar à chuva, sobretudo num trilho de terra e estreito, como o de amanhã... Adormeci a pedir a São Pedro uma abertinha para o grupo "Papa-Tuga".

D1: A via sacra da Fenêtre d'Arpette





Sabíamos que tinhamos pela frente um dia duro. Talvez o mais duro de todos. Segundo o livro, seriam cerca de 8 horas de marcha desde o Col de Balme até Champex, já na Suíça.
Começámos o dia em cedo, às 6 horas e apanhámos o autocarro até à aldeia do Tour (a 15' de CHX). Mal o teleférico abriu, fizemos dois trajectos que nos levaram até aos 2191 metros do Col de Balme, onde estavam pouco mais de 5º C! Ainda não tínhamos "aquecido" e encontrámos logo uma dificuldade técnica, vários neveiros (ver foto). Um neveiro é uma encosta onde a neve permanece durante todo o ano, mesmo no verão, por estar pouco exposta ao sol. É difícil progredir na neve sem material adequado (yak traks, crampons, piolet...) e com 12 Kg às costas, que te alteram o centro de gravidade, é ainda pior... Mas o maior problema é mesmo no caso de queda, pois só parávamos centenas de metros abaixo! As pernas começaram a tremer, não pelo esforço mas pelo...medo! Aliviados pela superação destes obstáculos, lá fomos continuando a andar, tentando encontrar um bom ritmo para o grupo. Nem imaginávamos o que ainda teríamos pele frente... Parámos para almoçar num refúgio com vista para o glaciar e saboreámos as nossas sandes de presunto e queijo "vaca que ri", acompanhadas de uns golos de ice-tea fresquinho. O próximo trilho era a subir um desnível de mais de 1000 metros até aos 2665 metros da Fenêtre d'Arpette, um colo de passagem para o vale do nosso destino final. Os tempos indicativos nos livros e placas de informação eram menos de 3 horas. Mas nós demorámos mais 5 horas e não andámos à procura da Heidi e do Pedro... Nunca mais chegávamos à "janela"... Um dos elementos do nosso grupo sentiu uma grande indisposição gastro-intestinal (motivada provavelmente por excesso de caril) e para ele a subida foi uma autêntica via sacra... Após termos conquistado a "janela" e após o nosso companheiro ter ficado aliviado de todos os males de que padecia, continuámos numa descida interminável. Já com cerca de 10 horas de trilho nos pés (e nas costas!), só queríamos avistar o próximo refúgio onde poderíamos descansar. Ainda tivemos que esperar mais 2 horas até avistarmos o nosso "oásis", uma casinha muito simpática o "Relais d'Arpette". Já a claudicar e a servir-me do bastão quase como uma canadiana, chegámos! Eram quase 9 horas da noite e a probabilidade da cozinha nos servir refeição casa era remota... Mas acho que tiveram pena de nós e deixaram-nos comer na sala de refeições já vazia. Depois, um prémio merecido: um duche de água quente e uma caminha com colchão! Durante a noite, acordei várias vezes por tinha dores nos pés e nos ombros, doridos de tantos kms e kilos... Nada que 500mg de naproxeno não resolvam!

D0: Chegada a Chamonix



Neste primeiro dia, viajámos com a Easy Jet até Genebra. Tínhamos à nossa espera uma carrinha-táxi que demorou cerca de 1 hora a levar-nos até Chamonix. Aaaaah, Chamonix!!! A cidade estava como eu me lembrava dela: charmosa e rodeada de montanhas e glaciares!
Depois do almoço, fomos passear pela cidade e pelas lojas de material de montanha. Há que averiguar se há gadgets novos no mercado! Depois fomos comprar mantimentos para os dias seguintes. É preciso ter atenção, porque carregamos tudo à costas e não podemos abusar nas iguarias. Para terminar, fomos jantar a um restaurante com sabor bem familiar: curry!
A dormida foi no refúgio "Gîte Le Vagabonde", num quarto com 3 beliches. O nome diz tudo... Foi fácil fazer a mala para o dia seguinte, foi só agarrar em toda tralha e enfiá-la na mochila!!! Ui, ficou pesada...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Os "irmãozinhos" do Matterhorn






As minhas viagens já me levaram até às primeiras três montanhas (Ama Dablam, Assinibone e Machapuchare) e no futuro próximo irei passear junto da quarta (Aspiring/Tititea)!

Matterhorn, a montanha perfeita


O Matterhorn (aka Cervino ou Cervin), foi das últimas montanhas dos Alpes a ser conquistada. Foi preciso esperar até dia 14 de Julho de 1865 para que alguém pudesse espreitar do alto dos seus 4478 metros. Do grupo que conseguiu atingir o cume faziam parte nomes conhecidos com pioneiros do alpinisimo com Edward Whymper ou Michel Croz. Na descida quatro dos sete alpinistas pereceram, lembrando-nos que a montanha é que nos deixar subir e não somos nós que subimos a montanha...
A sua forma característica, quase uma pirâmide perfeita, faz com que todas as montanhas com esta forma, um pouco por todo o mundo, sejam apelidadas carinhosamente de "Matterhorn":

- Ama Dablam, o Matterhorn dos Himalaias (PN Sagarmatha, Nepal - 6812m)

- Mount Assinibone, o Matterhorn da América do Norte (PN de Banff, Canadá - 3618m)

- Machapuchare, o Matterhorn do Nepal (PN Annapurna, Nepal - 6993m)

- Mount Aspiring/Tititea, o Matterhorn do Sul (PN Mount Aspiring, Nova Zelândia - 3033m)

Mont Blanc, a dama branca

O Mont Blanc (aka Monte Bianco) é a montanha mais alta dos Alpes e da Europa Ocidental. O cume, com 4810 metros, é partilhado entre a região de Haute-Savoie, em França e o vale de Aosta, na Itália. A montanha mais alta da região desde cedo cativou os montanheiros mais destemidos da região. Mas foi só em 1786 que Jacques Balmat, um caçador italiano e Michel Paccard, um médico também transalpino, chegaram ao cume, após de dezenas de tentativas frustadas.

Chamonix-Zermatt em 8 dias















DIA 0 Lisboa-Genève-Chamonix
DIA 1 Chamonix-Tour-Col de Balme-Champex
DIA 2 Champex-Cabane du Mont Fort
DIA 3 Cabane du Mont Fort-Cabane de Prafleuri
DIA 4 Cabane de Prafleuri-Les Haudéres
DIA 5 Les Haudéres-Barrage de Moiry
DIA 6 Barrage de Moiry-Zinal-Gruben-Sant Niklaus
DIA 7 Sant Niklaus-Gasenried-Europahutte
DIA 8 Europahutte-Zermatt
DIA 9 Zermatt-Genève-Lisboa

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Chamonix, take two

Já não é a primeira vez que vamos parar à mítica vila de Chamonix. A primeira vez foi em Junho de 2005. Ainda a dar os primeiros passos no mundo da montanha, fomos direitinhos à "capital" do alpinismo da Europa (ou não estivessemos nos Alpes!).
Dizem que a primeira vez é inesquecível... E foi! A subida ao Monte Branco foi a nossa primeira experiência em altitude. Foi muito duro, muito mais do que eu conseguiria imaginar... Poucas horas após nascer o sol, o meu corpo começou a emitir sinais de SOS e a pedir para parar. Acho que o alpinismo consiste em ignorar repetidamente os sinais do teu corpo e continuar, continuar... Nem tinha forças para tirar o cantil da mochila ou descobrir a barra energética no bolso do casaco. Sempre que parávamos só queria era descansar... Era difícil usufruir da paisagem, porque quando olhava para a frente, via o que ainda tínhamos que percorrer! Reparem na foto em que se vê uma aresta no fundo, é aresta que nos ia levar até ao cume e os pontinhos pretos são alpinista que partiram antes de nós! Apesar de ser um dia de sol, estava muito vento e os flocos de neve acertavam-nos em cheio nas poucas partes do corpo que tínhamos exposto (ver foto na aresta sumital). E eu pensava: "o que estou a fazer aqui?!?!", "porque é que me meti nisto?". Ao fim de 7-8 horas lá chegámos ao cume e tirámos as fotos da praxe. É um sensação incrível, por segundos esqueces tudo: o cansaço, o frio, o caminho que ainda tens para fazer de regresso...
É de salientar que não cheguei lá acima sozinha, só o consegui em equipa. Com o meu guia e companheiros de cordada. Apesar de ser uma conquista de cada um, é um vitória de todos. Obrigada João, Miguel, Abílio e Marco!

Do Mont Blanc ao Matterhorn

Unir a pé duas das mais emblemáticas vilas dos Alpes é o nosso próximo objectivo. Chamonix é uma vila simpática nos nos Alpes franceses é guardada pelo Mont Blanc e os seus 4810 metros. Zermatt é uma pequena vila nos Alpes suíços que tem com pano de fundo os 4477 metros do Matterhorn (também conhecido pelos amigos por Cervino), facilmente reconhecido pela sua forma piramidal. Estas duas localidades são unidas por cerca de 180 Km de trilhos que se pode percorrer a pé durante cerca de 15 dias. Este percurso é muito bonito com vistas fantásticas para montanhas, lagos e glaciares.
Como não temos 2 semanas para desfrutar das montanhas, teremos que aumentar as distâncias percorridas por dia e utilizar alguns meios mecânicos (como o teleférico) e fazer tudo em...8 dias!
Missão impossível!?!?! Para nós, não há impossíveis!

À procura de Heidi e Pedro

Depois de vários meses de minuciosa preparação, horas de horas de reuniões, dezenas de horas de treinos, chegou a hora!
Vamos finalmente à procura da Heidi e o Pedro. Sabemos que foram visto pela última na zona dos Alpes franceses e suíços. A Heidi trazia um vestido vermelho e o Pedro tinha uma camisa castanha clara, calças azuis e usava um chapéu estranho na cabeça. Foram visto na companhia de um borreguinho de sino ao pescoço, cujo o nome não é conhecido. Apesar de existir pouca informação vamos tentar (em apenas 9 dias) descobri-los... Poderão estar escondidos num refúgio de montanha ou então a banhar-se num lago ou ainda, quem sabe, a correr pelos campos verdejantes. "Verdes são os campos, da cor do limão"... A Heidi e o Pedro (e o borreguinho inclusivé) poderão já não ter a aparência pueril das últimas fotografias divulgadas (já têm uns anitos)... Mas vamos tentar reconhecê-los através da sua roupa e pelo nome e trazê-los de volta a casa!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Entre o Este e o Oeste

Em Greenwich, com um pé o no Oeste e outro no Este! O mundo inteiro a meus pés!

"Boa onda" - Jason Mraz

Um canção "fresca" para este verão! "I'm Yours" de Jason Mraz (do álbum "We Sing, We Dance, We Steal Things", 2008)

JM dedica uma canção...

John Mayer @ Hard Rock Calling 2008


Guitar God(son) ?!?!

Hard Rock Calling



No dia 27 de Junho fomos até ao Hyde Park em Londres a um mega-concerto.
Começamos por ver a actuação do (desconhecido) Jason Mraz. Fiquei fã! É um estilo muito descontraído e divertido!
Em seguida: o John Mayer! Fomos para "o meio da molhada" e conseguimos ficar perto do palco ligeiramente à direita. O JM esteve ao seu nível mas soube a pouco, tocou apenas 45 minutos... Não tocou algumas das minhas preferidas, mas tudo bem, fica para a próxima :) O momento alto foi com a música "Waiting on the World to Change", logo a abrir. Depois foi mais ou menos "morno" até ao final com "Gravity", com vários solos. A senhora que se seguiu foi Sheryl Crow. Poderosa! Nem eu sabia que conhecia tantas músicas dela! O grande aguardado da noite era o Eric Clapton. Chegou, venceu e convenceu! Um excelente guitarrista acompanhado de uma banda de excelência. No final, a Sheryl (a filha) e o John (o neto) juntaram-se ao Eric, o patriarca , para tocarem em conjunto "Crossroads". Final apoteótico!